27
fev
10

O Erotismo na História Ocidental

O mais antigo texto sobre erotismo que já foi publicado é o “Banquete de Platão”. O narrador, Aristófanes, conta que, na Origem, a humanidade se compunha dos homens, das mulheres e de um terceiro ser denominado Andrógino. Os Andróginos eram seres mais completos pois possuíam grande poder, encarnavam o masculino e o feminino, tendo o melhor destas duas dimensões do humano. Possuíam a forma esférica, mais perfeita e aprimorada, possuíam sempre quatro mãos, quatro pernas e quatro orelhas, duas cabeças, dois órgãos sexuais e uma cabeça, mas cometeram o erro de desafiar os Deuses. Então, como castigo, Zeus, o grande rei do Olimpo, o símbolo máximo da consciência, separou-os com os seus raios. Cada Andrógino foi cortado em duas partes, passando a sentirem-se mais fracos, incompletos e infelizes. Os novos seres mutilados passam a procurar por toda a parte a sua cara metade, a sua alma gémea. Quando acontece encontrarem-se novamente, a atracção é extremamente forte. Com muito erotismo desejam restaurar a antiga perfeição, entrelaçam-se, tentam fundir-se, perder-se um sobre o outro. No entanto, apesar da intensa predisposição de ambos, a fusão é sempre momentânea e está condenada a desaparecer, para que a identidade sobreviva e cada indivíduo possa continuar como um ser distinto. A Antiguidade clássica é pródiga de relatos sobre a vida erótica Grega, as cortesãs, a vida das prostitutas, a homossexualidade socializada e a riqueza erótica das estátuas, quase sempre nuas e com os órgãos sexuais em evidência, os quais serviam de material pornográfico para a masturbação. O Império Romano domina o Ocidente e, no seu período decadente, perde toda a sua ética e valores, cedendo lugar a uma crescente brutalidade sexual nas figuras de Nero, Tibério e Calígola. A Idade Média, dominada pela religião, promove a repressão da sexualidade e mantém a política de eliminar o erotismo através da culpa, da auto-flagelação, castigos físicos e sublimação religiosa. No século XIV, Bocaccio publica Decameron, com as confissões de pessoas da nobreza, ligadas a aventuras de amantes e maridos infiéis. Porém, o sexo acontece promíscuo e hipócrita, como o “diabo gosta”. Surge o Renascimento da cultura Ocidental. Na Itália, Aretino publica contos eróticos; na França de 1740, surge o mais famoso escritor de erotismo, o grande Marques de Sade, associando sexo e crueldade à luxúria palaciana. Na Áustria, alguns anos mais tarde, surge Leopold Von Sacher – Masoch com seu romance autobiográfico, “A Vénus das Peles” onde consolida as bases do sado-masoquismo moderno. Na Inglaterra, John Cleland publica “Fanny Hill”, uma das mais importantes obras de pornografia já escritas. Nos finais do século passado acontecem associações fortes com pornografia homossexual. Oscar Wilde publica em 1891 “O retracto de Dorian Gray”, onde a pornografia começa a ser vista como forte apelo de vendas. O século XX, presencia o surgimento de uma pornografia vinculada ao processo de industrialização e ao mercado. Com o Cinema a partir de 1921, já podem ser vistas cenas de banho em cascatas, cenas com emoções fortes e figuras semi nuas. A partir de 1933, por três décadas, houve uma pausa na produção de filmes eróticos. A Europa de 1950 presencia o crescimento acentuado de casas de strip-tease e, dos Estados Unidos da actualidade, importam-se as casas especializadas em produzir material erótico e pornográfico, as Sex-shops. Hoje presentes em todo o mundo, evidenciam a banalização do erotismo, hoje presente no quotidiano de cada indivíduo.


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