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fetichismo: vale tudo para satisfazer o parceiro?

Catedraticamente, podemos definir fetiche como utilização de objetos inanimados como estímulo da excitação e da satisfação sexual. Na maioria dos casos, são prolongamentos do corpo, como por exemplo roupas e calçados. Outros exemplos comuns dizem respeito a uma textura particular, como a borracha, o plástico ou o couro. Os objetos fetiches variam na sua importância de um indivíduo para o outro. Em certos casos servem simplesmente para reforçar a excitação sexual, atingida por condições normais, como pedir a seu parceiro que vista uma dada roupa, ou mesmo o exibicionismo e o voyerismo.

Alguns estudiosos afirmam que o fetiche deriva-se diretamente da primeira infância, em que a criança com poucos meses atenua a angústia da separação da mãe com presença de um objeto, por exemplo o ursinho de pelúcia, travesseiro, cobertor. Nesse caso, o adulto não teria aprendido a mudar o objeto de amor e viver em sociedade. Dizem também que o fetichista tem sentimento de culpa e de inferioridade sexual, portanto se apega obstinadamente ao fetiche para ter certeza de que não vai falhar.

Mas, há quem diga que definir é restrigir. E restrigir o sexo – e suas peculiaridades – é restrigir a vida. Pois bem. Os chineses são loucos por um pezinho. Lá, a prática de amarrar os pés para provocar atrofia beira um semifetichismo cultural. A literatura erótica chinesa contém relatos de homens acariciando, beijando e lambendo pés atrofiados. O pé “lotus dourado” de oito centímetros era celebrado como ideal erótico: “Olhe para eles na palma da sua mão” escreveu o poeta Sung, “tão maravilhosamente pequenos que desafiam a descrição”.

Algumas teorias dizem serem raras as mulheres fetichistas. Associa-se o fato da supremacia masculina ao costume precoce de tirar prazer do sexo a e ao hábito da pornografia (é comum se maturbarem ao olhar imagens, por exemplo). Enquanto os homens pensam mais facilmente em sexo sem a mulher, as mesmas se condicionaram a associar prazer sexual com relacionamento amoroso. Os novos tempos e a liberdade sexual prometeriam, então, injetar uma dose de fetichismo na vida feminina. Esses teóricos, porém, parecem desconhecer um fato.

Num determinado momento da História, o culto do órgão sexual masculino como reservatório do poder criador tornou-se universal. O pênis passou a ser objeto de adoração e fé religiosa. Em alguns antigos templos dedicados a divindades fálicas, o deus esculpido em madeira era visitado com tanta freqüência por mulheres estéreis e esperançosas, que o pênis se desgastava pelo manuseio, pelos beijos, fricções e sucções a que era submetido. Para solucionar o problema, os sacerdotes fabricavam um falo muito comprido, que emergia de um orifício entre as coxas do deus. Quando a ponta se desgastava, os padres davam algumas marteladas por trás da estátua, empurrando o órgão para fora. Será que isso já não era um fetiche?

Existe uma prática muito pouco comum chamada pigmalionismo, que é relacionada a atração sexual por estátuas. Na Grécia Antiga, um homem profanou um templo dedicado a Afrodite ao tentar manter relações com a estátua da deusa.

Mais recentemente, um tipo de pigmalionismo foi registrado no Koryak, na Sibéria. Aparentemente alguns homens dormem com pedras, as quais chamam de suas esposas.

Entre os mais lendários fetiches, está a necrofilia. Apesar da ampla pesquisa de Alfred Kinsey sobre comportamento sexual, o americano jamais encontrou uma pessoa que pudesse considerar como verdadeiramente necrófila. Os antropólogos raramente mencionam o tema quando abordam as sociedades estudadas, porém, quando é relatada, a necrofilia é quase sempre restrita ao sexo masculino.

A mais antiga referência à necrofilia aparece no relato de Heródoto da mumificação no Antigo Egito. Ele observou que os corpos das mulheres belas ou ilustres não eram imediatamente entregues aos embalsamadores, devido ao temor de que pudessem ser violados.

Embalsamadores e agentes funerários têm sido ocasionalmente chamados de alcoviteiros dos mortos, mesmo fora do Egito. Patrícia Bosworth, biógrafa de Montgomery Clift, afirma que o ator conhecia um cirurgião plástico e aborteiro ilegal que, no início da década de 60, “fornecia cadáveres para um notório salão funerário na Sexta Avenida. Por cinqüenta dólares podia-se ter relações sexuais com um cadáver”.

O fetichismo só começa a ficar perigoso quando passa a comprometer a saúde sexual, impossibilitando qualquer prazer obtido de outras maneiras. Isso pode acabar gerando algumas incertezas quanto a identidade ou a orientação sexual. Entretanto, em doses certas, o fetichismo é absolutamente natural. Afinal, vale tudo entre quatro paredes… mesmo se elas nem existirem.

fonte: Fernando Coelho, Mood


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