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A sexualidade na Grécia Antiga

Pinturas em vasos, inscrições, esculturas e ruínas arqueológicas descrevem o sexo e a vida na Grécia Antiga, mas suas interpretações são, com grande freqüência, distorcidas subjetivamente pelos escritores atuais, para adequá-las às suas ideologias políticas ou pessoais.

Os escritores modernos gostam de usar trechos da Literatura Clássica Grega como base para retratar o amor, a confiança e o afeto. Ninguém, por exemplo, lendo a descrição da partida entre Heitor e a despedida de Andrômaca, na “Ilíada” de Homero, poderia deixar de ver o amor e a admiração mútua. Em contrapartida, leituras objetivas das relíquias literárias de 700 a 100 a.C., retratam o amor, o sexo e a vida na Grécia Antiga de uma forma menos poética, menos idílica e mais realista. Nessas relíquias podemos encontrar um quadro totalmente diferente caracterizado, principalmente, pela suspeita e medo profundo do homem grego em relação à mulher, originados, sobretudo, pelos excessos, vistos como irracionais, da mulher grega (luxúria incontrolável e poder sexual).

Para o homem grego a escravização das mulheres ao desejo sexual significava que sua razão estava subordinada à sua luxúria. Enfatizava-se repetidamente a sua astúcia, malícia, artimanhas, poder racional e sua linguagem, que diziam ser um instrumento corrompido. Devido a essa crença na peculiar capacidade da mente da mulher ser corrompida por suas paixões e desejos, não é surpresa que Menendro (famoso poeta grego) desencorajasse a educação da mulher, uma vez que, para ele, “isso equivaleria a tornar uma cobra mais venenosa”.

Demócrito considerava uma coisa “terrível” uma mulher argumentar, porque “sua mente é mais aguçada que a do homem em pensamentos malignos”. Mas nem todos tinham o ponto de vista de Menendro e Demócrito; cortesãs da alta sociedade grega, chamadas de “betera”, eram mulheres poderosas, admiradas por suas qualidades intelectuais, assim como, por seus atrativos e habilidades sexuais, sendo muitas vezes amigas de grandes homens (soldados, filósofos e artistas).

No teatro grego todos os atores eram homens que usavam máscaras para representar as mulheres, que não eram admitidas nem no elenco, nem na platéia. Representavam mulheres que na vida real sequer eram consideradas cidadãs.

A Lei de Atenas e As Mulheres

Como Platão, Aristóteles constantemente igualava o homem à razão, à ordem e ao controle, e a mulher ao irracional. Os homens, dizia, são feitos para dominar as mulheres, assim como os homens livres dominam os escravos e a razão domina o irracional. Assim, o filósofo descrevia a natureza das mulheres: “as mulheres comparadas aos homens são movidas a lágrimas, ciúmes, lamúria, repreensão, violência, melancolia, menos esperança, vazios de vergonha, discursos inexatos e enganosos. A única coisa boa é que elas precisam de menos comida”.

Não obstante as fulminações irritadas dos filósofos, a lei ateniense invalidava um testamento se fosse provado que o testador estava “sob a influência da loucura, da senilidade, de droga, de doença ou de uma mulher”.

Sócrates, que costumava começar o dia, com uma prece agradecendo aos deuses por ter nascido homem, mandou embora suas mulheres, ao ingerir a cicuta, para que seus últimos minutos na terra “não fossem preenchidos com as incômodas demonstrações emocionais”.

Mulheres e Feras

Associações de mulheres com a animalidade diminuíam ainda mais seu prestígio.

As porcas, devido a sua fecundidade, eram as escolhidas. De acordo com Aristóteles, uma porca no cio irá atacar até mesmo humanos. “Porca” ou “leitoa” eram as associações cômicas mais populares para referir-se aos genitais femininos, sendo que:

a) Leitoa, normalmente indicava “aquelas partes” sem pêlos de moças mais jovens.

b) Porca se referia aos genitais “relaxados” (maduros) de mulheres mais velhas.

Na comédia de Aristófanes – “Acharnians” – “Mégara” tenta vender suas filhas para o sexo anunciando-as como “leitoas do mistério” que irão “fazer os mais belos leitões” para sacrificar a Afrodite.

Tipos Bestiais

O satirista do século dezessete, Semonides, categorizou os desejos bestiais de diferentes tipos de fêmeas destrutivas, cada uma ligada a um animal ou elemento natural:

a) a mulher “porca” é gorda e suja;

b) a mulher “raposa”, mal humorada e inconsistente;

c) a mulher “cadela” é uma fofoqueira e tagarela que nem uma surra consegue controlar;

d) a mulher “da terra”» é uma comilona, estúpida e preguiçosa;

e) a mulher “do mar” é dado a extremos emocionais, rindo feliz num dia, enraivecida em outros;

f) a mulher “burra” é preguiçosa, gulosa e aceita qualquer tipo de companhia em sua cama;

g) a mulher “doninha” é maliciosa e “louca por sexo”, adoecendo os homens com quem ela dorme;

h) a mulher “égua aristocrática” é exigente, orgulhosa e cara;

i) a mulher “macaca” é astuta, desavergonhada e má.

Para Semonides a mulher “abelha” é a única que simboliza a boa mulher, trabalhando duro e produzindo. Ama seu marido, tem filhos e evita a fofoca sexual de outras mulheres. Sua sexualidade foi completamente subordinada ao afazeres domésticos, que ela cumpre como uma abelha, o que lhe permite manter sob controle outros desejos e paixões.

Origens da Bestialidade

Os homens gregos não precisavam procurar muito para descobrir porque as mulheres eram mais bestiais e pouco racionais: seus corpos e suas funções pareciam estar mais ligados aos processos da natureza, por isso mais instintivos e menos racionais. Em especial o predomínio do fluído vital, o “sangue” nas menstruações. Diziam que era uma “ameaça para a mente, atrapalhando a inteligência”. De acordo com o filósofo Diógenes de Apolônia (séc. V), “a fraqueza mental da mulher está diretamente ligada aos fluídos”. Acreditavam que os fluídos podiam “enevoar um espelho de metal, tirar o corte de uma lâmina de aço, o brilho do marfim, enferrujar bronze e ferro, destruir colméias de abelhas e enlouquecer cachorros”.

O Ponto de vista Médico

Escritores médicos da época atribuíam um grande número de distúrbios psicológicos e fisiológicos a descarga inadequada do sangue menstrual: “Quando a menstruação é retida e não pode fluir para fora da vagina, ela flui de volta para o útero, para dentro do coração e da mente (esta localizada no peito segundo os gregos), levando, dessa maneira, à insanidade ou causando tendências assassinas ou suicidas.”

O “útero errante” era considerada uma das enfermidades mais sérias. De acordo com Hipócrates, quando o útero deseja procriar e não pode conceber, ele fica com raiva e move-se por todo o corpo, bloqueando passagens de ar e causando todos os tipos de doenças, tais como: asfixia, torpor e espumação na boca. A cura era atrair o útero de volta ao lugar com supositórios vaginais aromáticos (simbolizando a relação sexual).

O coro das mulheres na “Temosforia” perguntam aos homens: “Se realmente somos uma coisa ruim, porque vocês se casam conosco?” A resposta: “é seu atrativo sexual que arrasta os homens para elas, apesar de todos os problemas que elas causam”.
A guisa de encerramento deste tópico, julgo cabível a seguinte observação: “devido a pouca importância dada à mulher, eram comuns os relacionamentos homossexuais na Grécia Antiga. Um homem mais velho e sábio escolhia um jovem (ainda na puberdade) para educar e iniciar sexualmente, como também foi educado e iniciado Alexandre da Macedônia.

fonte: Luso-Poemas


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